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Por que muitos recicláveis não são realmente reciclados no Brasil


Muitos brasileiros ainda acreditam que separar recicláveis em casa é suficiente para garantir que eles sejam reciclados. Infelizmente, a realidade é mais complexa. Embora o Brasil tenha uma das maiores taxas de coleta de lixo do mundo, com mais de 90% do lixo urbano coletado anualmente, apenas 8,3% desse total é efetivamente reciclado, um número muito distante do potencial de 30%. O problema vai muito além da separação doméstica.

A contaminação de recicláveis, a infraestrutura deficiente para coleta seletiva e fatores econômicos, como a antiga concorrência com materiais importados, tornam a jornada do lixo reciclável mais desafiadora do que deveria ser. Recentes avanços regulatórios, como o decreto de 2025 que limita importações de recicláveis, abrem novas oportunidades para priorizar a economia circular no Brasil. Mas, para que esse progresso se concretize, ainda há um longo caminho a percorrer.

Pilha de resíduos não reciclados no Brasil com sacola de garrafas plásticas em destaque

Por que a separação inadequada afeta a reciclagem?

A separação do lixo não é apenas uma questão de consciência, mas de técnica. Muitos materiais recicláveis acabam sendo descartados porque estão misturados com resíduos orgânicos ou contaminados com substâncias como óleo e gordura. Esse é um problema recorrente nos grandes centros urbanos, como no Rio de Janeiro, onde 33,6% do lixo seco vai parar em aterros, ao invés de ser destinado a cooperativas de coleta.

Quando se mistura um prato plástico engordurado com papeis secos, por exemplo, todo o conteúdo pode ser rejeitado em um centro de triagem. Evitar esse desperdício começa com mudanças simples em casa, como lavar levemente recipientes plásticos e dispor os recicláveis secos em lixeiras separadas.

A busca por uma infraestrutura mais eficiente

Outra barreira significativa é a falta de escala na coleta seletiva. Menos de metade dos municípios brasileiros possui programas de coleta seletiva consistentes. Ainda assim, o que encontramos em muitos casos são sistemas ineficazes, que não conectam efetivamente as residências aos centros de reciclagem.

No município do Rio, por exemplo, especialistas indicam que a coleta seletiva precisa ser multiplicada por dez para atender à demanda atual. Isso exigirá não apenas o envolvimento das prefeituras, mas também o fortalecimento das cooperativas de catadores, que desempenham papel essencial no ciclo de reciclagem no Brasil.

Como o novo decreto fortalece catadores e materiais locais

Por anos, catadores enfrentaram a competição desleal com recicláveis importados, que eram mais baratos para a indústria. O decreto de maio de 2025 finalmente mudou essa dinâmica, limitando em até 90% a importação de materiais como plástico PET, alumínio e vidro, forçando a priorização de fontes locais.

Essa mudança promete aumentar a renda dos catadores, já que os recursos recicláveis coletados por eles ganham valor no mercado interno. Porém, para que esse cenário se concretize, será essencial investir em organizações locais e estabelecer parcerias duradouras com indústrias e prefeituras.

Práticas sustentáveis que fazem diferença

Adotar hábitos mais sustentáveis começa com ferramentas e práticas acessíveis a qualquer lar brasileiro. Abaixo estão algumas das estratégias recomendadas por especialistas:

  • Lixeiras de separação coloridas: Use lixeiras claramente identificadas (azul para papel, vermelho para plástico, verde para vidro e amarelo para metais) para simplificar a triagem em casa.
  • Compostagem doméstica: Adote um composteiro para transformar resíduos orgânicos (que representam 50% do lixo brasileiro) em adubo natural.
  • Apps de coleta: Ferramentas como “Recicla RJ” conectam moradores a catadores locais para coleta agendada gratuita, reduzindo o desperdício.

Essas práticas não só diminuem o desperdício, mas também incentivam uma economia circular a partir de ações simples. Visualmente, imagine sua cozinha mais organizada, sem aquele acúmulo de sacos plásticos transbordando.

Transformações reais de resíduos no Brasil

Histórias de sucesso mostram como práticas diferentes podem transformar a realidade de famílias e comunidades inteiras.

Uma família em São Paulo decidiu implementar compostagem doméstica e lixeiras coloridas. Em apenas seis meses, reduziram 40% do lixo que enviavam para aterros. Além disso, passaram a vender recicláveis via aplicativos, gerando uma renda extra. Hoje, a cozinha desse lar urbano exibe vasos floridos cheios de adubo feito em casa.

Já em Seropédica (RJ), uma cooperativa conseguiu direcionar 10 mil toneladas de resíduos recicláveis ao ano para mercados especializados, beneficiando mais de 100 trabalhadores. Como resultado, toneladas de resíduos deixaram de sobrecarregar aterros sanitários.

Energia no futuro dos resíduos

Olhando para tendências futuras, projetos como o CTTR em Manaus já tentam novas abordagens para os resíduos. Previsto para operar em 2028, essa planta transformará lixo em biometano, fornecendo energia limpa para mais de 179 mil residências.

Essa iniciativa depende da separação prévia dos resíduos e será acessível por apps que incentivam famílias a aderirem ao modelo. É o futuro, mas conectado à realidade presente. Veja mais neste vídeo:

Aprendizados para uma sustentabilidade acessível

Separar o lixo, apoiar catadores e adotar práticas caseiras viáveis são passos simples que geram impacto. Além disso, acompanhar as novas regulamentações nos ajuda a entender como o Brasil está avançando na direção de uma economia mais circular e justa.

Ao atuar no presente, famílias podem não só beneficiar o ambiente, mas também contribuir para um sistema que prioriza recursos locais e reduz desperdícios. O maior aprendizado? Sustentabilidade começa com escolhas cotidianas alcançáveis.

Comece organizando a rotina de separação de resíduos. Experimente e ajuste. Pequenas ações acumulam grandes transformações.